Difícil imaginar um mundo de meias verdades. Os intelectuais de todos os quilates, quando são questionados sobre a validade e autenticidade de seus temas, colocam a mão no queixo e, com um olhar de desprezo cósmico, sentenciam: - “A verdade é relativa.”
A relativização da verdade, ou seja, daquilo o que é fato, torna-se a mola mestra de uma incongruência dialética a qual permite direcionar um fato para qualquer interesse. Muito fácil falar a verdade quando a verdade serve como o contexto das intenções e, em última instância, serve à própria mentira.
Ora, e por que estou dizendo isso? Simples: Uma vez que nem eu, nem você temos compromisso com a verdade nua e crua, toda e qualquer manifestação de seriedade se dá num ato de conveniência. Esta é a base de muita propaganda com ares de informação. Quando órgãos públicos se usam deste mesmo artifício – atenuar e acentuar circunstâncias em nome da relatividade do fato – vê-se que a transparência estatal não passa de um nome ao qual um sem número de partidários terá de reverenciar sem valores de juízo.
O mesmo se passa nas universidades, onde verdades relativas servem para sustentar teses mais compromissadas com um ideal qualquer do que com o zelo acadêmico da pesquisa. Não à toa, nossos núcleos de pesquisa se renderam nas últimas décadas às mais desvairadas vaidades, tudo por um título. Por um título. São as nomenclaturas mais cretinas como, “a pós-sensibilidade em fulano de tal”, “O meta-obscurantismo asmático do século XX”, e por ai vai. O mesmo se sucede às artes. Dependem ambas deste desvario intelectual.
Mas eu falei de propaganda pública e nela insisto. Um estudante mente por conta própria, uma empresa, apesar dos pesares, também. Mas ver o governo mentir é desesperador. Quando o Brasil depende de um futuro construído na mentira, perdemos referência. A referência, a verdade de como estamos e para onde vamos é indispensável para a construção de um país estável e próspero. Infelizmente acostumamo-nos aos ditames de um engodo eleitoral que se repete todos os anos, num frenesi de sonhos e esperanças. Sonhos e esperanças populares.
A propósito, um exemplo da surpreendente pequenez do que é verdade hoje no Brasil: Reserva Indígena Rapoza Serra do Sol, 2 anos depois da demarcação.
Sim Eduardo! eu estive recentemente sentado nos bancos de faculdade e vejo que os títulos de Doutores às vezes possibilitam isso, que certas verdades sejam relativas cabendo questionamento, então, em se tratando de ogãos governamentais o mesmo se repete, pois tem-se aí um aparato de estado para legitimar atos e ações que se fosse pela ótica e voz do povo, não se trataria dessa forma. Até mais... Arnaldo.
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