terça-feira, 5 de julho de 2011

Exame da Ordem dos Advogados do Brasil reprova 88%

O último exame da Ordem dos Advogados do Brasil realizado em dezembro de 2010 deixa números alarmantes: dos 106.891 candidatos (Bacharéis em Direito) somente 12.534 foram aprovados e poderão exercer o ofício de suas atribuições sem prejuízos à legalidade. O Coordenador Nacional do Exame, Vinícius Furtado Coelho, entende que as universidades públicas ganham papel de destaque, aprovando mais de 60% de seus alunos no exame, enquanto há universidades que não conseguem aprovar ninguém.

Faculdade de Direito do Largo de São Francisco:
A primeira instituição do curso no país.

No entanto, culpar somente as instituições de ensino superior – realmente mais preocupadas com questões mercadológicas que acadêmicas – é um ato superficial. Descortinemos o espetáculo da educação brasileira: classificações pífias em qualquer ranking entre países do mundo. O milagre da alfabetização em massa. Os números do governo. A propaganda ostensiva...

Não é preciso muito esforço para concluir que os verdadeiros problemas a serem combatidos não estão na labuta dos universitários. Os problemas estão precisamente na educação dada às crianças, no despertar das atividades cognitivas e, um pouco adiante, nos fundamentos inerentes ao ensino de base. É a escola que perde sua missão maior, essencialmente filantrópica, para abraçar as benesses de uma educação paliativa, aproveitando-se muitas vezes de uma lacuna educacional presente no próprio ambiente familiar de seus alunos. O déficit acadêmico, enxergado com horror por pais, educadores e magistrados, tem seu ponto de partida na relativização da escola, cujas “orientações pedagógicas” submetem-se inteiramente a interesses pouco instrutivos.

Pensar o ensino superior é, por assim dizer, um mero prolongamento desta prática. Mais do mesmo. Se as universidades públicas demonstram maior potencialidade, tanto no mercado de trabalho quanto na aquisição de graus, é porque lá dentro estão os alunos que tiveram a oportunidade de concluir seus primeiros anos de estudo com honestidade.

Os Bacharéis de Direito que não passaram no exame não têm motivo algum para se lamentar. Foram também vítimas do mercado público e privado da educação. Certamente alguns deles terão competência para serem aprovados no exame da Ordem em agosto deste ano, mas muito poucos irão, infelizmente, se questionar sobre os valores mais caros da educação.

Eduardo Cassilhas

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